Cordiais Saudações aos diletos companheiros da Taberna,
Beh, hoje o tópico não terá um tema específico, mas aliás, quando é que tem. né?
Essa semana estava observando as estatísticas aqui do blog e vendo que a quantidade de posts diminui consideravelmente de março a setembro e volta a subir a partir de outubro. Isso não quer dizer que eu tenha mais tempo de outubro em diante, mas sim que estou tão cansado ou contrariado que resolvi ligar o botão do F***-se.
E esse mês de outubro e novembro já estão bem bagunçadinhos para o meu gosto. Já perdi a conta da quantidade de concertos esse mês. A propósito, para aqueles que gostem de música de concerto estarei nos dia 24 e 27 de novembro em concerto na Sala Cecília Meireles, dia 24 com o Oratório de Natal de Bach e dia 27 com a Nona Sinfonia de Beethoven e depois disso devo ir direto para o conserto...trocadilho péssimo!! Há um recital solo marcado para essa próxima semana, mas não confirmo com ninguém porque quem me contratou está indeciso com a data, como se fosse fácil preparar um recital e depois ficar mudando de dia... as pessoas têm o direito de ser enroladas, mas não de enrolar a vida dos outros, mas enfim... c'est la vie.
Falando nisso, andei notando uma coisa ultimamente, que virou até assunto de conversa de MSN com a Lanynha da Varanda e confreira de nossa Taberna e também foi assunto com um amigo. Quando se se atua no meio artístico às vezes as coisas acontecem tão rápido que você não percebe. Uma dessas é quando você passa a ser artista... é como se se cruzasse uma sutil linha que te transformasse numa das pessoas dessa classe e isso tem vários desdobramentos, um é que você mesmo não se sente ainda um artista e acaba cometendo gafes gravíssimas. Uma vez, antes de um concerto, eu queria um lugar para me vestir e depois de ficar um tempão encolhido no canto do Hall da Sala de concertos vi a diretora passando e resolvi perguntar muito constrangido: "Err...a Senhora poderia me conseguir um cantinho para eu me trocar? Pode ser um banheiro, um quartinho, qualquer coisa..." E a diretora me olhou com um olhar indescritível, um misto de pena e de ira e disse: "Meu filho, você é o artísta!! Olhe lá seu camarim, lá!!". Se é assim, então tá, né!!
Mas outro desdobramento, também sério, é a imagem que as pessoas constroem de você. Por algum motivo as pessoas deixam de te encarar como um Ser Humano normal, e te colocam num nível totalmente imerecido. E esse patamar que imerecidamente se alça vêm acompanhado de exigências, as pessoas querem que você seja da forma como elas te imaginam, não compreendem se há um dia que você acordou de mau humor, se está com dor de cabeça, ou se acordou meio deprimido e não quer ver ninguém, não compreendem que você nem sempre tem tempo para dar a atenção devida e essa sim merecida. Mas isso nem é o cerne da questão. Elas querem que você seja aquela pessoa séria e concentrada que vêem em cima do palco. Então às vezes coisas patéticas acontecem, como pedirem desculpas quando falam palavrão perto de você ou então quando você fala um palavrão ou faz uma piada olharem esbugalhados como se fosse um sinal dos tempos. Aliás, eu passo isso em todos os lugares, como se de repente eu tivesse me tornado um avatar inatingível e que não pudesse as vezes enlouquecer.
Mais uma historinha, o Orkut é uma forma interessante de contato, mas também é perigoso pelas mesmas razões expostas acima. Alguém outro dia me ofendeu gravemente via scrap, se referindo a questões nazistas e solenemente resolvi mandá-lo para aquele lugar, xingando todas as gerações da família dele. Algum tempo depois vejo críticas em algumas comunidades, dessa mesma pessoa, dizendo que não esperava isso de mim, uma pessoa pública, um artista. E ainda pedem para eu recorrer ao meu espírito cristão...que diga-se de passagem, não tenho...mas vamos lá né...
Disso tudo dá para retirar uma conclusão, nossa época vive um período de forte comprometimento psicológico, as pessoas se sentem sozinhas e carentes de contato e como vivemos na era da falta de privacidade elas querem cada vez mais interagir com os aspectos mais íntimos das nossas vidas, mas de forma ilusória e virtual. E quando destruímos isso, mostrando que temos defeitos e somos normais, toda essa ilusão se desfaz. Noto que às vezes várias pessoas se aborrecem comigo por acharem que eu sou sério 24/7 e quando elas vêem que eu sou brincalhão também, não processam o fato e se sentem ofendidas. E há vários fatores responsável por isso, o tipo de arte que exerço que está envolvida em uma egrégora de falsa sofisticação, o fato de eu ter um sotaque diferente das pessoas e de não ter gírias o que dá um ar de mais mistério ainda...enfim...mas não é culpa minha...no todo.

Confrades, eu juro, sempre tento escrever poucas coisas, mas não consigo, quando vejo o texto está enorme, perdoem-me a prolixidade.
Há novidades vindo por ai, surgiram como idéia de uma postagem, mas acho que vai render mais do que isso. Deixo com vocês um excerto do Oratório de Natal de Bach que farei no dia 24/11. E ilustrando essa postagem algumas das aquarelas do moleskine dessa semana.
Ósculos e Amplexos














